E SE EU ESCOLHER SER SUA?

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Eu rolo e me reviro na cama envolta pelos lençóis sempre floridos enquanto a insônia me convence firmemente de que preciso de você para dormir. Ela tem dessas coisas sabe? De sussurrar ideias e te levar a acreditar fielmente nas marteladas de palavras que ela te sugere. E sabe, essa noite eu as ouvi. Meus dedos agiram como gatilhos, rápidos e ágeis e eram duas da manhã quando elas te enviaram aquele texto de “preciso de você aqui”.

E então, foi muito tarde para finalmente correr atrás? É que eu descobri que eu preciso dos seus cuidados. Fechar os olhos e saber que teu corpo e o meu dividem a mesma cama me faz dormir melhor. Sinto falta disso, amor. A tua calma me traz calma, e eu ando muito tensa desde a última vez que te vi.

Já passa das três quando resolvo tomar um chá, sei que não tem efeito nenhum sobre mim e você também deve se lembrar. Aperto meu celular tão forte junto a mim esperando por sua resposta – que nunca chega – que é possível ver os nós brancos nos dedos da minha mão. Mas é que sinto como se ele fosse meu bote salva vidas, sabe? E eu estou totalmente à deriva esperando por socorro. É que agora que me abri dependo unicamente de você. Sinto que preciso de algo ainda mais forte pra me manter de pé, então pego no armário o whisky do meu avó e bebo uma dose para cada vez que te deixei partir.

É que sempre fui eu quem segurou as rédeas e ditou as regras, estar do lado oposto me faz ter um pequeno colapso nervoso. Esse é o problema em depositar todas as suas fichas em alguém, você coloca todo o peso da sua felicidade nas costas dele e não pode culpá-lo pela decisão que ele tomará. Tudo o que pode fazer é sentar e aguardar pacientemente, como uma criança obediente esperando pelo fim do castigo, e criar mentalmente as rotas para os possíveis caminhos que a decisão dele te fará tomar.

Minha visão desfoca e a insônia enfim resolve me dar uma folga. O sono começa a tomar conta de mim quando meu celular toca e alerta a chegada de uma nova mensagem. E então, amor, qual vai ser a direção?

ELA NÃO É MAIS SUA

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Estou vendo de perto tudo que está acontecendo agora, rapaz. Vi quando ela virou a quinta dose de tequila e manteve os olhos fechados por cinco segundos até dar um daqueles sorrisos aberto, daqueles ensaiados em frente ao espelho dezenas de vezes para ter certeza que alguém o compre.  Os amigos compraram e tenho certeza que você compraria se também estivesse aqui.

Mas para a sorte dela, você não está. E não é por falta de vontade sua, é por decisão própria dela. Ela finalmente olhou para trás e viu o marasmo que era situação de vocês e cortou o laço imaginário que os unia. E você soube, não soube? No instante em que os olhos escuros dela sempre gentis mudaram. Quando o sorriso de faço-tudo-por-você virou aquele sorriso amarelo sarcástico de dispensa.

Naquela noite foi inverno para você não é, rapaz? As noites são sempre mais gélidas quando se perde o calor daquele sorriso. Mas não deveria, você teve o poder de escolha amigo, e como o babaca que sempre foi preferiu não escolher. Deixou que a maré levasse a situação e a maré a levou para bem longe.

Sorte a dela ser um bom marujo… Alçou as velas e aprendeu a navegar em novas águas que chegam, e olha, ouvi dizer que são boas… O Sol anda acompanhando sua ex-velejadora moço, e ela nunca se sentiu tão iluminada. Ela ainda sente falta do cheiro de terra firme e fresca que era você, mas avante e adiante é o novo lema dela. O problema de não tomar grandes decisões é que uma hora ou outra o destino se encarrega de tomá-las em seu lugar. E sabe amigo, você já é crescido para chorar sobre o leite derramado.

AGORA A PAZ É MINHA

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O espelho da imagem refletida a fora diz muito do que se passa do lado de dentro. Algumas vezes essencial mesmo é a reclusão a fim de sair juntando todas as suas peças, reconstruir uma por uma e abandonar as que não servem mais pelo caminho. Em carapaça nova não cabem bagagens antigas e é por isso que o passado precisa continuar lá.

E eu? Eu tenho tentado deixar pra lá. Sinto que cresci. Tem um equilíbrio perfeito em cada partezinha de mim e é minha a decisão do que me faz melhor. Já não dói mais ter que partir. Quando as engrenagens dentro da gente se estabilizam a paz que é emanada pode ser sentida em todos os continentes, e agora é assim, eu sou a minha própria paz.

MINHA TEORIA SOBRE VOCÊ

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E então, como está você, morena? Já faz meses, mas continuo pensando em nós. Chega a ser engraçado minha incapacidade de comandar meus próprios pensamentos, acho que no fundo, eles também amam você. Sabe, eu queria que tivesse sido eu e sei que todos os outros antes de mim desejavam a mesma coisa.

É difícil esquecer teu sorriso, aquele que aparecia quando me via entrando pela porta, como se não desejasse que mais ninguém entrasse por ali. Teu sorriso era o próprio Sol, meu em particular, enquanto eu não passava de um simplório girassol ansiando mais proximidade, e é por isso que eu entendo os outros caras. E também sinto pena por todos aqueles que estão por vir…

Pena porque você é como uma droga. Quem te vê parada na fila do banheiro em um bar qualquer dos Jardins e olha para esses teus olhos grandes, cor de aquele-chocolate-quente-no-inverno, entra no ar descompassado e inocente que paira a sua volta, sempre junto com as covinhas na bochecha, não imagina a mulher independente que se esconde por trás dessa fachada. E é aí que todos nós caímos na mesma cilada.

Você é tão independente que não se deixa ser plural. Cria uma barreira intocável logo quando estamos próximos o bastante de te tocar e conhecer a sua real forma interna. Então você culpa o timing ruim, o karma e o mundo cósmico, bate na tecla do “não era pra ser” e coloca a culpa até no cupido. Afasta todos aqueles que demonstram o mínimo interesse em você e tenta se aproximar dos frívolos que torcem o pescoço para o outro lado.

Sinto muito por ser eu a te falar, mas o problema é você. Eis que surge minha teoria: Você tem medo. Sim, medo. Medo de se deixar conhecer e não ser suficiente, de ser nua demais, sem bagagem e interessância frente aos olhos que te soldam. Mas sabe, você não é, sei disso porque amei você por tudo que vi, e também por tudo que tentei ver. Então, solte as amarras e deixe seu Sol brilhar cada vez mais, não há o que pensar. Me deixa ver a transparência da sua alma e me encontra quando se encontrar.

VOCÊ É TURISTA E EU VOU BEM SOZINHA

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Estamos sentados em uma mesa de bar com alguns amigos, você diz alguma besteira e ri. Ri um desses seus sorrisos que por diversas vezes fez meu mundo parar. Eu te observo disfarçadamente, ou tão disfarçadamente quanto é possível, parando hora ou outra pra concordar com algo dito por um de nossos amigos.

Você me encara e eu desvio o olhar. Não me renderei aos seus encantos, não hoje, não mais. Entre uma brincadeira e outra você pega minha mão e eu a deixo ali, junto a sua, repetindo mil vezes em minha cabeça que isso não me afeta.

Travo uma batalha interna com meu eu apegado, aquela parte de mim que há muito tempo eu quero deixar para trás. Não sei em qual momento nós nos perdemos ou em qual virada de esquina você decidiu que deveria seguir sozinho, mas você deveria ir sem olhar pra trás, sem voltar três quarteirões para me encontrar, andar vinte passos comigo e novamente seguir em frente. Sabe, joga o mapa fora, vai cantarolando no meio do caminho e esquece a direção… Só não volta.

Não volta se não for percorrer todo o caminho comigo, dispenso turistas. Eu vou bem sozinha, obrigada.

ACHEI A SAÍDA

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Hoje eu acordei feliz por não ser a mulher da sua vida. Sinto-me aliviada por não ter que lidar com sua bagagem, suas crises e indecisões.

Acordei feliz por não ter que esperar por você. Abri as janelas e o Sol brilhou mais forte, como para celebrar minha nova independência. O vento sussurra em meus ouvidos um novo canto, o canto dos vitoriosos. Ele me saúda a boa escolha. Até a natureza comemora meu novo feito.

Hoje acordei deixando você no passado. Rezando baixinho para o seu afeto não mais me afetar. Abri os olhos na esperança de não ser eu a infelicita de aquecer seu coração e derreter o gelo que em seu peito fez morada. É um caminho lento e sem progresso, o qual eu não mais trilho. Eu peguei outra rota, amor. Mudei a direção do mapa e te deixei no meio da estrada. Eu não o levo mais. Seu pacote de problemas era pesado demais para mim.

Você não soube escolher, portanto eu faço a escolha por nós dois: eu me abstenho de você.

EU QUERO QUE VOCÊ FIQUE

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Eu sempre tive a mão leve demais. Odiava qualquer interação onde eu fosse a responsável por fazer o outro ficar. Eu tenho essa mania incontrolável de liberdade, e deixava isso aflorar para além de mim, fazia com que todos fossem livres e não impedia nenhum voo rasante de um explorador de horizontes.

Mas eu quero ser âncora por você. A minha mão que outrora sempre fora leve demais, hoje aceita ser de pulso firme, dessas que você aperta em um cumprimento e sente toda a eletricidade percorrer.

Quero que me aceite como bússola e me deixe guiar-te. Faz dos meus olhos lanternas e de meus braços abrigo. Larga essa tua marra e se amarra aqui, comigo, em mim, em um nó forte, e não desamarra nunca mais.

Explora os meus horizontes, ou leva-me contigo em um dos seus voos, mas não solte a minha mão. Mostra-me teu mundo e faça de você uma peça fundamental do meu. Façamos um combinado: eu dou-te os motivos e você cria ninho em mim. Fica, e vai ficando por aqui… Até amanhã, amor, até todo dia.

EU ESCOLHO AMAR A MIM

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Eu sempre preferi acreditar que dávamos certo, que de um jeito meio louco, nós nos pertencíamos. Deixei passar sinais que gritavam o quão iludida eu era. Você, como um bom jogador, mudava o jogo como queria, e eu, dançarina amadora, bailava sempre no seu ritmo.

Eu encontrava desculpas para as suas desculpas. Culpava a sua falta de tempo, o mau tempo, o trânsito, o mundo cósmico e a vizinha, sempre que você não aparecia. Mas o culpado nunca era você. Você me conhecia, sabia como e o momento certo de agir. Sabia temperar a nossa quase relação quando eu ficava confusa e queria jogar tudo pro alto, e me fazia desistir de desistir.

Eu não percebia que o problema era você. Você queria o beijo, mas não o abraço. Queria o riso fácil, mas nunca o olhar profundo que segue após. Queria minhas palavras, mas nunca uma conversa. Queria as roupas no chão e não o aconchego do depois. Jogador, queria que eu fosse sua, sem nem nunca ter sido meu.

Até o dia em que eu descobri que além de dançarina eu também sabia jogar. Usei todo o meu gingado para te jogar para trás. Eu demorei mas percebi que amor é só ponto de vista. Eu abandonei o medo da insegurança que a falta da sua presença me causava. Deixei de ser pião em um jogo de xadrez e passei a ser a rainha. Xeque mate: eu escolho amar a mim.